Nova Geração de Usinas Solares Movidas a Calor e não à Luz


A energia solar, captada por painéis de silício, é apontada como uma das melhores alternativas para diminuir a dependência mundial dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade. Seu uso doméstico se disseminou, mas usinas de painéis solares com potência suficiente para iluminar milhares de casas ainda são caras e têm baixa capacidade de armazenamento.

Uma nova geração de usinas solares, chamadas de térmicas, vem se firmando como uma opção para produzir eletricidade com a ajuda do sol. Ao contrário das convencionais, que usam a luz para ativar painéis fotovoltaicos, as usinas térmicas utilizam o calor dos raios solares, refletidos por espelhos e captados por uma torre receptora. Esse calor é usado para aquecer um fluido, geralmente sal liquefeito, que permanece estocado em reservatórios em alta temperatura – como café quente numa garrafa térmica.

Quando há demanda por eletricidade, o fluido é conduzido até um gerador e o vapor que ele desprende move uma turbina, produzindo eletricidade. O fluido é reaproveitado e, ao longo do dia, o conjunto de espelhos se movimenta para manter o melhor ângulo de captação da luz e do calor do sol. Esse sistema, com tecnologia bem mais simples que a empregada nas usinas fotovoltaicas, é semelhante ao usado nas termelétricas, com a enorme vantagem de não produzir poluição atmosférica. Há atualmente no mundo cerca de cinqüenta usinas solares térmicas em diferentes estágios de planejamento ou construção.

A PS10, próxima a Sevilha, na Espanha, está em operação há um ano. Por enquanto, ela consegue armazenar o calor produzido durante meia hora. Quando novas tecnologias já em desenvolvimento forem utilizadas, prevê-se que usinas como a PS10 serão capazes de estocar calor por até vinte horas.

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Como ocorre com todas as formas de energia renováveis, o desafio da energia solar térmica é chegar a um custo de produção competitivo. Hoje, o preço médio por quilowatt-hora de uma usina solar térmica é de 17 centavos de dólar, contra 7 nas termelétricas a carvão e 5 nas hidrelétricas. Ainda assim, a eletricidade gerada pelas usinas térmicas é 40% mais barata do que a produzida pelas usinas fotovoltaicas. Atualmente, menos de 1% da eletricidade consumida no mundo provém da energia solar, mas, segundo os especialistas, essa porcentagem deverá crescer significativamente.

“Minha aposta é que, em alguns anos, a energia produzida com o sol representará 5% da eletricidade usada no planeta”, disse a VEJA o engenheiro William A. Beckman, diretor do laboratório de energia solar da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Um estudo do Instituto de Energia da Universidade da Califórnia, divulgado no início do ano, mostra que a energia solar térmica se tornará economicamente competitiva muito antes que a fotovoltaica.

O custo de construção das usinas é menor, e o aproveitamento da eletricidade gerada, maior. Uma usina solar térmica a ser construída no estado americano do Arizona, anunciada como a maior do mundo, vai produzir 280 megawatts de eletricidade. Para efeito de comparação, as maiores usinas fotovoltaicas hoje em operação produzem 20 megawatts.

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Fonte: Revista Veja

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  • AMILTON

    Muito interessante, sou apaixonado por energia solar e esta é uma excelente alternativa

  • M e C

    Após a leitura dessa reportagem, ( Efeito Garrafa Térmica – Revista Veja, 14 de maio de 2008 ) nós chegamos a conclusão de que a produção de energia com baixa poluição atmosférica e maior aproveitamento da produtividade, ou seja, a Usina térmica solar, seria ideal não só apenas para o Brasil, mais como, para todos os outros países do mundo. Com ela conseguiríamos diminuir grande parte da camada de ozônio, por ser um recurso alternativo renovável que não produz a poluição atmosférica . Entretanto esse recurso renovável, apesar de ser bastante favorável e de trazer inúmeros benefícios para o planeta, tem como desvantagem um custo muito alto e pouco acessível para grande parte da população do mundo inteiro. No Brasil, o governo não tem nenhuma expectativa de implantar o recurso da Usina solar térmica, porém já se tem um projeto para outro recurso renovável, a Usina Marinha, que em nossa opinião, é um recurso menos vantajoso por ser menos produtivo em comparação aos outros recursos renováveis.

    • "Com ela conseguiríamos diminuir grande parte da camada de ozônio."
      – Você quer nos matar?

  • Pingback: Energia solar – acreditem!()

  • Em volta da Terra há uma frágil camada de um gás chamado ozônio (O3), que protege animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol. Na superfície terrestre, o ozônio contribui para agravar a poluição do ar das cidades e a chuva ácida. Mas, nas alturas da estratosfera (entre 25 e 30 km acima da superfície), é um filtro a favor da vida. Sem ele, os raios ultravioleta poderiam aniquilar todas as formas de vida no planeta.

  • Roberto

    Itajubá, 31 de dezembro de 2009

    Essa notícia é ótima… Ajudar a natureza é função do homem neste mundo. É preservar. Fantástico.
    Por gentileza. Surgiu-me uma dúvida sobre o desenho acima (ciclo até a corrente elétrica). O reservatório de sal quente deveria passar primeiropela turbina para depois acionar o gerador de eletricidade? Se puder esclarecer essa minha dúvida fico muito grato.
    Atenciosamente,
    Roberto.

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