Íntegra do comunicado divulgado pelo G20


O G-20 (grupo dos 20) é um grupo que consiste nas 19 maiores potências do mundo: África do Sul, Alemanha*, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá*, China, Coreia do Sul, Estados Unidos*, França*, Índia, Indonésia, Itália*, Japão*, México, Reino Unido*, Rússia, Turquia. Junto com a União Européia, representada pelo Banco Central Europeu.
*(G7)

O G-20 declarou neste sábado “decidido a reforçar sua cooperação” para restaurar o crescimento mundial e reformar o sistema financeiro, em um comunicado oficial divulgado ao término de sua primeira reunião de cúpula, em Washington.

No documento, os líderes do grupo – cujos países representam 85% da economia mundial – se comprometem a aplicar medidas fiscais para estimular as economias nacionais, e lista seis áreas que devem ser priorizadas antes de 31 de março de 2009.

DECLARAÇÃO

ENCONTRO SOBRE MERCADOS FINANCEIROS E ECONOMIA MUNDIAL

1. Nós, líderes do Grupo dos Vinte, conduzimos uma reunião inicial em Washington em 15 de novembro de 2008, em meio aos sérios desafios à economia do mundo e aos mercados financeiros. Estamos determinados a reforçar nossa cooperação e trabalhar juntos para restaurar o crescimento global e alcançar as reformar necessárias nos sistemas financeiros mundiais.

2. Nos últimos meses nossos países têm tomado medidas urgentes e excepcionais para apoiar a economia global e estabilizar os mercados financeiros. Esses esforços devem continuar. Ao mesmo tempo, devemos criar as bases de reformas para ajudar a assegurar que uma crise global, como essa de agora, não ocorra novamente. Nosso trabalho será guiado pela visão compartilhada de que os princípios do mercado, comércio aberto, regimes de investimento e mercados financeiros efetivamente regulados estimulam o dinamismo, inovação e empreendedorismo que são essenciais para o crescimento da economia, emprego e redução da pobreza.

Raízes e causas da atual crise

3. Durante um período de forte crescimento global, crescimento no fluxo de capital e prolongada estabilidade no início desta década, os participantes do mercado procuraram retornos maiores sem uma adequada avaliação dos riscos e falharam em adotar os procedimentos de due diligence. Ao mesmo tempo, padrões fracos de subscrição, práticas não saudáveis de gerenciamento de risco, produtos financeiros cada vez mais opacos e complexos, e consequente alavancagem excessiva combinaram para criar vulnerabilidade no sistema. Os formuladores de política, reguladores e supervisores em alguns países desenvolvidos, não avaliaram adequadamente os riscos que se criavam nos mercados financeiros, o ritmo com a inovação financeira, ou levaram em conta as ramificações sistêmicas das ações regulatórias domésticas.

4. Dentre os fatores principais para a atual situação estão, entre outros, insuficientes e inconsistentes políticas macroeconômicas coordenadas, reformas estruturais inadequadas, que levaram a insustentáveis conseqüências macroeconômicas. Esses desenvolvimentos, juntos, contribuíram para excessos e resultaram no final em severos rompimentos do mercado.

Ações tomadas e a serem tomadas

5. Temos tomado fortes e significativas ações até o momento para estimular nossas economias, oferecer liquidez, reforçar o capital de instituições financeiras, proteger poupanças e depósitos, reparar deficiências regulatórias, descongelar mercados de crédito e estamos trabalhando para assegurar que instituições financeiras internacionais (IFIs) possam oferecer apoio crucial para a economia global.

Mas é preciso fazer mais para estabilizar os mercados financeiros e estimular o crescimento econômico. O impulso econômico está desacelerando substancialmente nas principais economias e a perspectiva global se enfraqueceu. Muitas economias emergentes, que ajudaram a sustentar a economia mundial nesta década, ainda gozam de bom crescimento, mas cada vez mais são impactadas pelo desaquecimento global.

7. Contra este cenário de deterioração das condições econômicas, concordamos que uma resposta mais ampla de política é necessária, baseada em cooperação macroeconômica mais próxima para restaurar crescimento, evitar espirais negativas e apoiar as economias emergentes e países em desenvolvimento. Como medidas imediatas para atingir esses objetivos, bem como enfrentar desafios futuros, iremos:

Continuar nossos vigorosos esforços e tomar mais ações que forem necessárias para estabilizar o sistema financeiro.

Reconhecer a importância do apoio da política monetária, conforme apropriado para condições domésticas.

Usar medidas fiscais para estimular a demanda doméstica com efeito rápido, como apropriado, enquanto se mantém uma política que conduza à estabilidade fiscal.

Ajudar economias emergentes e em desenvolvimento a obter acesso aos financiamentos nas difíceis atuais condições financeiras, incluindo através de instrumentos de liquidez e programas de apoio. Ressaltamos o papel importante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em resposta à crise, saudamos sua nova linha de liquidez de curto prazo e apelamos para que a atual revisão de seus instrumentos assegure flexibilidade.

Encorajar o Banco Mundial e outros bancos multilaterais de desenvolvimento (MDBs, na sigla em inglês) a usarem sua capacidade total para apoiar seu plano de desenvolvimento, e elogiamos a recente introdução de novos instrumentos pelo Banco Mundial nas áreas de infra-estrutura e negociação financeira.

Garantir que FMI, Banco Mundial e outros MDBs tenham recursos suficientes para continuar desempenhando seus papéis na superação da crise.

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