A liberdade de Expressão e o Jornalismo em Goiás


Num país como o Brasil, onde a democracia balança mais não cai, certos fatos fazem nossa espinha da justiça e da liberdade arrepiar, de tamanha ofensa aos valores republicanos e democráticos. A situação descrita a seguir aconteceu no jornal goiano Diário da Manhã.

Na última sexta-feira, dia 11/05, 28 jornalistas do Diário da Manhã foram demitidos por terem exercido o direito de se expressarem livremente, previsto na Constituição brasileira. Pacificamente, sem usar palavras, vestiram-se de preto para expressar seu descontentamente com o atraso no pagamento de seus salários. Autoritariamente, o senhor Batista Custódio, dono das empresas Unigraf e Centro-Oeste, mantenedoras do Diário da Manhã, mandou que os descontentes fossem demitidos.

Os jornalistas que não haviam aderido ao protesto e os que preferiram salvar seus empregos foram obrigados a usar um adesivo confeccionado pela empresa com o significado “Eu amo o DM” (a palavra amo foi substituída no adesivo por um coração). Os jornalistas que ocupam cargos de chefia foram obrigados, ainda, a assumir a responsabilidade pela demissão dos colegas, em nota publicada na primeira página do Diário da Manhã do dia 12. Na nota o jornal diz:

“Em virtude de atraso na folha de pagamento, um grupo de 28 empregados da Redação do Diário da Manhã decidiu vestir-se de preto como forma de protesto, uma insatisfação compreensível. Reunido – e avalizado pelo editor-geral do Diário da Manhã, Batista Custódio –, o Conselho Editorial decidiu dispensar tais funcionários.”

A realidade é que os jornalistas do Diário da Manhã não receberam os salários de janeiro e fevereiro, receberam o salário de março, mas foram informados de que não havia previsão para o pagamento do salário de abril.

A liberdade de expressão foi caçada por aqueles que durante muitos anos batalharam por ela no Brasil e que sempre que sentem que a mesma está sendo tirada deles se mobilizam. Assim acredito que a nota, que circulou na edição de véspera do dia das mães, poderia sem nenhum problema vim finalizada com a seguinte sabedoria da minha querida mainha: ” Em casa de ferreiro meu filho, o espeto é de pau”.

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